Nem toda trend é para sua marca: quando o viral atrapalha mais do que ajuda

Toda semana surge um novo viral. Pode ser um vídeo, um meme, uma história curiosa ou até um episódio polêmico que domina as redes sociais por alguns dias. Quase sempre acontece a mesma coisa: marcas e profissionais começam a se perguntar se “dá para entrar nessa trend” e como adaptar aquilo rapidamente para o próprio conteúdo.

O problema é que, nessa pressa por alcance, a pergunta mais importante costuma ficar em segundo plano: isso faz sentido para a minha marca?

E é aí que mora o erro. O problema não é a trend em si, mas a falta de critério na hora de decidir o que merece ou não virar conteúdo.

O viral como alerta, não como regra

Recentemente, viralizou o caso de uma mulher que acreditava estar conversando com Brad Pitt e chegou a ir até o aeroporto para encontrá-lo. O episódio ganhou repercussão justamente por envolver golpe, desinformação e vulnerabilidade emocional, temas sensíveis que exigem cuidado na abordagem.

Pouco tempo depois, algumas marcas passaram a usar o assunto como “brincadeira”, meme ou piada, apenas para aproveitar o alcance momentâneo. O nome envolvido até chamou atenção, mas o contexto foi ignorado.

Esse exemplo é importante não por quem estava envolvido, mas pelo alerta que ele traz: nem tudo que viraliza deveria automaticamente virar conteúdo de marca.

Quando o alcance vira ruído

É inegável que trends podem gerar números rápidos. Curtidas, visualizações e compartilhamentos costumam aparecer com mais facilidade quando um assunto está em alta. O problema começa quando esse alcance vem sem contexto, sem alinhamento com o posicionamento da marca e sem uma intenção estratégica clara.

Nessas situações, a marca até aparece, mas o custo costuma ser alto. É comum surgirem ruídos na comunicação, desconforto em parte do público, perda de coerência no discurso e uma sensação clara de oportunismo. No médio e longo prazo, esse tipo de exposição enfraquece o posicionamento, em vez de fortalecê-lo.

Por isso, vale reforçar um ponto que muitas vezes é esquecido no marketing digital: trend não é estratégia e viral não é sinônimo de valor.

Estratégia exige escolha

Entrar em qualquer assunto que está em alta não é fazer estratégia. Estratégia pressupõe escolha, filtro e clareza sobre quem a marca é, o que ela defende e com quem quer conversar.

Marcas bem posicionadas não falam sobre tudo. Elas falam sobre aquilo que faz sentido dentro do que constroem diariamente, seja em produto, serviço, cultura ou relacionamento com o público.

Antes de usar uma trend, vale sempre parar por alguns minutos e refletir com calma. Isso tem relação real com o meu negócio ou com o que eu entrego? Esse conteúdo agrega algo para o meu público ou apenas chama atenção momentânea? Isso reforça a minha identidade ou me coloca em um lugar estranho e desconectado do meu posicionamento?

Quando essas respostas não são claras, talvez o melhor movimento seja simplesmente não postar.

O risco de parecer oportunista

Um dos maiores riscos do uso indiscriminado de trends é a percepção de oportunismo. Quando a marca parece “querer aparecer a qualquer custo”, a confiança se desgasta, mesmo que os números do post sejam bons.

E branding funciona justamente ao contrário disso. Ele se constrói com consistência, repetição estratégica, clareza de discurso e presença com intenção. Não é sobre estar em todos os assuntos do feed, mas sobre fazer sentido sempre que aparece.

Aparecer menos, com mais propósito

Marcas não precisam reagir a tudo o tempo todo. O que elas realmente precisam é saber quando falar e quando ficar em silêncio. Em muitos casos, não entrar em uma trend é uma decisão estratégica consciente, e não uma falha de marketing.

No fim das contas, o público não lembra de quem postou mais ou de quem surfou todas as ondas. Ele lembra de quem construiu significado, coerência e confiança ao longo do tempo.

Se a sua marca quer crescer com solidez, talvez o melhor caminho não seja surfar toda onda que aparece, mas escolher com cuidado em quais águas vale a pena entrar.

Se quiser conversar sobre estratégia, posicionamento e comunicação com intenção, entre em contato com a gente.

16 de janeiro de 20260

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